Chapada dos Veadeiros: Cachoeira da Capivara

Depois do VRÁ da Cachoeira Santa Bárbara, eu entendo que tudo fiquei meio besta e sem graça, mas a Cachoeira da Capivara está no pacote e você não deve perder a oportunidade de conhecê-la. Chegando cedo nas águas azuis da Santa Bárbara, sobra um tempinho para curtir essa vizinha grandiosa, dessa vez sem limite de tempo e com um poço bem mais espaçoso. Outra opção é ir pra lá antes, pra fazer hora caso a grande atração esteja cheia demais.

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Como eu contei por aqui, conseguimos chegar muito cedo à Santa Bárbara e, por isso, a visita à Cachoeira da Capivara ficou pra depois. Partindo do CAT na comunidade Kalunga, o percurso de carro até o estacionamento tem menos emoção e é mais curto do que o que leva à Santa Bárbara. Depois é claro que tem uma trilha até a cachoeira, mas anda-se menos de 1 Km.

A grandiosa Cachoeira da Capivara e suas duas quedas

Além de duas quedas generosas, a cachoeira  conta com um poço mais fundo – sinalizado com cordas – e um visual incrível do Vão do Moleque. Até então, eu não tinha tido problemas com insetos, mas mosquitos mutantes parecem habitar as redondezas. Capriche no repelente e se jogue nas águas geladas da Capivara.

Um pouco da cultura Kalunga

Chegar à comunidade Kalunga é entrar em contato com remanescentes do quilombo que foi formado naquela região, há mais de 300 anos. Quem vive hoje por ali são descendentes de escravos, que fugiram do trabalho forçado quando o Ciclo do Ouro se fortaleceu e acabou incentivando a comercialização desse tipo de mão de obra.

Hoje, essa é a maior comunidade de quilombolas remanescentes do Brasil e Veri, nosso guia, é uma das pessoas que carrega essa herança no sangue. O isolamento da comunidade chegou ao fim nos anos 80, mas o contato com pessoas “de fora” não apagaram traços muito fortes da cultura kalunga, que se mantém sendo uma comunidade rural, mistura elementos africanos e europeus e tem forte presença do catolicismo.

Durante os nossos trajetos, seja de carro ou a pé, Veri dividiu um pouco da sua rotina num bocado de prosa, com aquele sotaque carregado e um jeito tímido. Sem dúvida, essa troca com ele foi uma das partes mais preciosas do dia.

Sentados ali na Cachoeira da Capivara, olhando aquela imensidão, Veri nos contou sobre o seu trabalho “na terra”, perguntou sobre o Rio de Janeiro e tentou nos convencer de ver de perto a Romaria de Nossa Senhora da Abadia, uma festa religiosa – mas que também tem música e dança – celebrada sempre em agosto, em devoção à santa no Vão de Almas. Ficou para uma próxima oportunidade.

A essa hora, nós só conseguíamos pensar no almoço da Lucideth.


Cachoeira da Capivara

Partindo de Alto Paraíso pela GO-118, siga até Teresina de Goiás. Lá, vire à esquerda na GO-241 e siga até Cavalcante. O Google Maps ajuda, mas é legal dar aquele alô no CAT antes de seguir por mais 35 Km de estrada de terra até a Comunidade Kalunga. A trilha a pé tem menos de 1 Km.
Preço: R$70 (pelo guia contratado no Kalunga em agosto de 2015)