Chapada dos Veadeiros: Preparando a viagem

Por questões didáticas, eu vou chamar de Dia 0 o deslocamento feito entre o Rio e a capital federal. Com um voo mais em conta e lugar pra dormir em Brasília, preferimos voar à tarde e pernoitar por lá, para pegar a estrada cedinho no dia seguinte.

próximo destino: chapada dos veadeiros

Uma foto publicada por MochiLou (@mochilou) em

Chegando ao aeroporto Juscelino Kubitschek, fomos ao guichê da Movida para fazer a retirada do possante. Não foi nada muito rápido porque a burocracia é grande. A reserva tava no meu nome, Patrique que ia dirigir, eu que tinha cartão de crédito, mas ele que ia pagar… Pense na confusão! Depois de xerox de documento, tentativas de liberação do veículo na loja (que não fica exatamente no aeroporto), assinatura de contrato e umas taxinhas inesperadas, fomos de van até a loja para pegar aquele que seria nosso carro pelos próximos dias.

Escolhemos um carro 1.4, não alugamos nada além do basicão e dispensamos o GPS com fé no Google Maps. De boas! Tirando o detalhe que o aplicativo entendeu o endereço da minha amiga errado, me mandou pra outra quadra e eu tentei entrar na casa de outra pessoa, foi de boas mesmo!

Na estrada

A paradinha com tempo em Brasília foi excelente para passar no mercado e comprar de coisinhas bacanas para comer. O que são coisinhas bacanas? Frutas fáceis de carregar e comer, biscoitos, miojo, pão, requeijão, queijo que não “solta” água, papel alumínio pra embrulhar o sanduíche, guardanapo e muita água!

Pé em Deus e fé na estrada

Ir à Chapada dos Veadeiros significa se dividir entre duas cidadezinhas: Alto Paraíso de Goiás e a Vila de São Jorge. Partindo de Brasília pela BR-040, Alto vem primeiro, a 230 Km de distância, e a Vila está 36 Km mais a frente.

Visual da estrada

A solução para escolher o melhor roteiro para a Chapada é saber justamente as cachoeiras que você quer conhecer e, aí sim, escolher onde se hospedar.

As minhas foram eleitas com base em uma minuciosa pesquisa de opinião combinada com buscas de imagens do Google. Sério, é a parte mais difícil porque todas parecem lindas nas fotos (e são!) e as pessoas começam a dizer: “cara, você não pode deixar de ir na tchururu”. Você vai deixar de ir a alguma, vai sofrer um pouquinho, mas é isso aí.

Seguindo essa lógica, resolvemos dormir uma noite na Vila de São Jorge (na Casa da Sucupira) e três noites em Alto Paraíso (no hostel Jardim da Nova Era). Quem me ajudou a decidir o que descartar no roteiro foi o Fagner, dono do Jardim e guia na região. Pelo telefone, ele me convenceu a desistir da Janela do Abismo, porque não chovia há meses e a trilha estava pesada demais por conta da seca.

Mesmo assim, me restaram 14 cachoeiras incríveis pra admirar e tomar um banho!

Como chegar?

Partindo de Brasília, é possível ir para Alto Paraíso de carro (seja alugado ou de carona) ou de ônibus.  No próprio aeroporto há guichês de empresas de aluguel de veículos e a viagem dura em torno de 2h30, por uma estrada em ótimas condições.

ônibus saindo da Rodoviária para Alto Paraíso (normalmente de manhã e à noite, com mais opções de horário nos fins de semana). A linha é operada pela Real Expresso e as passagens custam em torno de R$100 (ida e volta).

Outra opção é combinar uma carona. No grupo do Facebook Conexão Chapada-BSB sempre aparecerem oportunidades para viajantes que buscam transporte para a Chapada dos Veadeiros, por um preço bastante amigável.

Onde ficar na Chapada dos Veadeiros

Casa da Sucupira (Vila de São Jorge)

Não foi o hostel mais fácil de encontrar, mas, levando em conta que a Vila de São Jorge é bem pequenininha, a procura demorou uns dez minutos rodando. A cerquinha de palha e a placa discreta escondiam o simpático e aconchegante hostel, que oferece quartos compartilhados e área de camping.

O quarto para dez pessoas fica no segundo andar, com direito a uma varandinha com rede, e os banheiros ficam embaixo. O que eu mais gostei foi a área comum, com uma espécie de sala de TV integrada com a cozinha. Como o hostel estava vazio, foi tudo muito tranquilo e limpinho. Entrei em contato com a Casa através do Facebook e a reserva foi feita por e-mail, mediante um depósito.

Jardim da Nova Era (Alto Paraíso)

Entrada de Alto Paraíso, com essa alusão a uma nave espacial (e a Árvore de Natal que, em agosto, continuava montada)

Super indicado por uma amiga, o Jardim da Nova Era tinha que ser meu paradeiro em Alto Paraíso. O hostel oferece quartos privados, compartilhados e área para camping, e é liderado pelo simpático Fagner, que agiliza passeios e a contratação de guias.

Ficamos em um quarto com oito camas, onde o wi-fi pegava super bem! O banheiro, que era compartilhado, também estava sempre muito limpo e a cozinha era bem equipada! Não tinha café da manhã, mas isso foi facilmente resolvido na padaria.

O que vai na mala?

Quer dizer, mochila! Escolhi ir de mochilão para a Chapada dos Veadeiros porque achei que seria mais prático – e foi mesmo. Levando em conta que você vai passar a maior parte do tempo fazendo trilhas e caminhadas, não pode faltar roupas confortáveis e um bom tênis, de preferência de trekking, na sua bagagem.

Roupa de banho, muito protetor solar e repelente, uma maletinha com remédios que podem salvar no sufoco, boné e aquele casaquinho leve porque, à noite, a temperatura sempre cai. E, se você vai pegar a estrada de carro, não esqueça de levar uma boa trilha sonora!

Onde comer?

Na vila de São Jorge vai ser um pouco mais complicado de achar boas opções em baixa temporada. Na noite que passamos por lá, comemos na pizzaria Lua de São Jorge e achamos bem digno. A pizza, de massa de batata, estava deliciosa e a cerveja, bem gelada! O atendimento foi demorado, mas nada que tirasse a paciência.

Em Alto Paraíso, há mais opções. A Tapiocaria, que fica na Praça do Skate, é ótima pra um lanche mais rápido e preguiçoso. O La Vitta e Bella é especializado em massas e pizzas e tivemos um jantar agradável por lá. Já quem quiser comer a quilo, o restaurante Peregrino é uma boa opção. Sem contar o super hiper indicado Rancho do Waldomiro, com a imbatível matula.

Ah! Vale provar o Gergeliko, um salgadinho com gergelim estimadíssimo na região, e a cerveja artesanal Aracê, produzida em Cavalcante.

E quanto custa?

Pra calcular os gastos na Chapada dos Veadeiros, considere:
(Viagem feita em agosto de 2015)

  • Voo até Brasília
    Ida pela Avianca e volta pela Tam por R$ 330
  • Aluguel do carro
    5 diárias Movida por um carro 1.4 por R$ 600
  • Combustível
    Vai depender muito do carro e do combustível usado. Só existe um posto em Alto Paraíso e é bom ficar atento pra não passar perrengue. Viajando em grupo dá pra rachar isso aí 😉
  • Estadia
    Casa da Supira: R$50 por noite com café no quarto compartilhado
    Jardim da Nova: Era R$ 35 por noite sem café no quarto compartilhado
  • Entrada das cachoeiras e guias
    Almécegas e São Bento R$ 30
    Raizama R$ 20
    Vale da Lua R$ 20
    Santa Bárbara + Capivara R$ 70 a diária do guia pro grupo
    Couros R$150 a diária do guia pro grupo
    Loquinha R$ 20
    Cristais R$ 10
  • Alimentação
    Vai variar muito de acordo com o que você vai comer, mas fizemos as contas com R$ 60 por dia e foi suficiente

Pra ler ouvindo Florence And The Machine – Ship To Wreck