Chapada dos Veadeiros: Cachoeira Santa Bárbara

O Vale da Lua pode até ser a atração mais famosa da Chapada dos Veadeiros, mas a Cachoeira Santa Bárbara é uma das coisas que vai te fazer sonhar com essa viagem. Quer fazer um teste? Busque por “Chapada dos Veadeiros” no Google Images e me diz quais as fotos da pesquisa chamam mais atenção. Acho que é quase impossível os olhos não irem direto para aquela água azul clara registrada por quem já teve esse privilégio.

» Confira o roteiro completo

Curiosamente, a Cachoeira Santa Bárbara não faz parte da Chapada dos Veadeiros. Ela fica no Sítio Histórico Kalunga no povoado Engenho II, que fica no município de Cavalcante e foi um antigo quilombo. Assim, o trajeto se torna uma viagem dentro da viagem, porque você vai percorrer uns bons quilômetros até chegar lá. Se o seu objetivo é dar um mergulho sozinho no paraíso, se prepara pra pegar a estrada bem cedo!

A caminho de Cavalcante

Como chegar

Chegando em Cavalcante

Para chegar à Cachoeira Santa Bárbara é necessário um guia e você pode contratar esse (ou essa) camarada em três pontos: em Alto Paraíso, em Cavalcante ou já na comunidade Kalunga. Preferimos contratar um guia na última parada não só porque é tranquilo chegar a Cavalcante com o auxílio do GPS, mas também achávamos que era importante incentivar o turismo local.

A viagem demora em torno de duas horas e, sabendo disso, saímos antes da sete da manhã de Alto Paraíso. Foram quase 90 Km até Cavalcante, onde paramos no CAT (Centro de Atendimento ao Turismo) para confirmar o caminho até o antigo quilombo. Lá, fui abordada por alguns guias, que me ajudaram com informações mesmo depois de eu dizer que seguiria o caminho sozinha.

Até o Centro de Atendimento da comunidade quilombola foram mais uns 35 Km de estrada de terra e, em alguns momentos, rolou aquela sensação de que estávamos perdidos! O percurso é relativamente tranquilo e o mirante da Nova Aurora fica no meio do caminho. Demos uma paradinha rápida para admirar o visual e seguimos viagem.

Chegando à comunidade Kalunga, tem um outro CAT, onde os visitantes são registrados e a taxa do guia é paga (R$70, que pode ser dividido por até oito pessoas). Os guias são pessoas da própria comunidade, que não têm lá o preparo de um profissional de turismo, mas têm muita história pra contar e experiência pra dividir.

Já li relatos de gente que encontrou guias mais tímidos, mas Veri – o primeiro guia da escala naquele dia – é um cara falante e super animado. Foi ele, inclusive, quem nos deu uma ótima notícia logo de cara: éramos os primeiros a chegar, pouco antes das nove da manhã, quando os “tours” começavam.

No caminho ele foi explicando: primeiro a gente encomendaria nosso almoço no restaurante Tradição Kalunga, onde é a Lucideth quem manda, depois seguiria para a Cachoeira de Santa Bárbara e, em seguida, para a Capivara. Nosso dia terminaria comendo um boa galinha (ou só um ovinho) caipira.

Cachoeira Santa Bárbara

Veri indicando o caminho dentro do rio

Como estávamos na época da seca, foi possível percorrer os outros 4 Km no nosso próprio carro até o estacionamento da cachoeira Santa Bárbara.  A estrada de acesso é bem ruim e é preciso atravessar dois trechos do rio, com fundo cheio de pedrinhas, fácil fácil de atolar. Quando chove com frequência na região, fica impossível passar sem um carro com tração porque a água atinge a altura dos joelhos.

Depois do Patrique provar que é um ótimo motorista, estacionamos o carro e percorremos mais 1 Km de trilha. Tem um longo trecho descampado até chegar as pedras no caminho, que me fizeram olhar para baixo por muito tempo, prestando atenção por onde andava.

Trilha para a Santa Bárbara

Em determinado ponto, eu levantei a cabeça e estava ali de cara para a Santa Barbarinha, formada por uma queda e um poço menor do que os da grande estrela.

A beleza da Santa Barbarinha

A água azul clara só me fez querer chegar logo na Santa Bárbara, que estava a poucos metros a frente. Só faltou tocar uns sinos, uma trilha celestial ou algo parecido porque, sério, é um dos lugares mais bonitos em que eu já estive.

Oi, linda!

Chegar cedo à Santa Bárbara tem muitas vantagens! A primeira delas é poder escolher seu guia, caso você tenha uma indicação. Outra é garantir sua entrada na cachoeira, já que, quando há muitos visitantes, a ordem de chegada ao paraíso é decidida através de um sorteio no CAT. Também há um limite de visitas por dia, além do tempo restrito (cerca de uma hora) para permanecer na Santa Bárbara.

Além disso, quanto mais gente tem na água, mais o fundo de areia fica “mexido”, fazendo com que o poço fique menos transparente. O silêncio também colabora para a contemplação. A única desvantagem é não conseguir pegar o horário em que o sol bate por ali, entre 11h e 13h.

Depois de muito nos banhar, partimos para a Cachoeira da Capivara.


Cachoeira Santa Bárbara

Partindo de Alto Paraíso pela GO-118, siga até Teresina de Goiás. Lá, vire à esquerda na GO-241 e siga até Cavalcante. O Google Maps ajuda, mas é legal dar aquele alô no CAT antes de seguir por mais 35 Km de estrada de terra até a Comunidade Kalunga. De transfer ou no seu próprio carro, você percorre mais 4 Km e, então, mais 1 Km de trilha.
Preço: R$70 (pelo guia contratado no Kalunga em agosto de 2015)