Meu voo atrasou! Como eu fui indemnizada pela Ryanair

Eram 4:30 da manhã quando eu cheguei ao aeroporto do Porto rumo a Londres, em julho de 2018. Essa “ponte-aérea” é feita diariamente pela Ryanair e o voo às 6:35, com destino ao aeroporto de Stansted, costuma ter preços mais conta – por mais duro que seja sair da cama ainda de madrugada.

Com o meu piloto automático a todo vapor, fui em direção ao guichê da companhia já que, por conta do meu passaporte brasileiro, eu precisava fazer o visa check. De longe, eu já avistei um burburinho e veio logo aquela sensação de “humm… deu ruim no meu voo”. Chegando lá, tinha um grupo de (pelo menos) 10 pessoas com a energia de quem já tinha tomado um litro de café.

“Oh, menina! Estás no voo das 6:35 para Londres? Pois está atrasado! Tens de assinar o livro de reclamações”. Eu, que só queria um carimbo para seguir para a porta de embarque, rapidamente fui engolida pelo fuzuê. Confesso que demorei um pouco para entender o ocorrido, mas a aeronave que partiria naquela manhã não tinha chegado na noite anterior e, por isso, o voo só sairia às 12:20. E alguém avisou? É claro que não. E-mail, sms, aplicativo… Nada. Nenhuma notificação. Mesmo que a companhia soubesse, no dia anterior, que aquele voo não aconteceria no horário previsto.

Ali mesmo no balcão, eu preenchi o livro de reclamações da Ryanair relatando o fato e fui orientada a enviar uma reclamação também através do site. A funcionária me entregou, numa folha impressa, uma espécie de carta da empresa, que não só lamentava-se pelo ocorrido, mas também indicava o link em que eu poderia detalhar minha reclamação; e um aviso com informações sobre os direitos do cliente com base nos termos do Regulamento Europeu (CE) nº 261/2004, em caso de impedimento de embarque, atraso ou cancelamento de voo.

Eu fiquei chocada de receber assim, de mão beijada, um papel que falava sobre direitos a compensação, a reembolso ou alteração de rota e a assistência. Caiu até uma lágrima! No fundo, a companhia “não fez mais que a sua obrigação”, mas a verdade é que não estamos acostumados a ter direitos reconhecidos.

Poderia ter sido muito pior se tudo isso não tivesse acontecido na minha língua nativa, na cidade onde eu vivo – que tem um aeroporto próximo do centro, que é onde eu moro. Assim, prefiro pensar que, apesar de tudo, dei sorte. Às seis, peguei o primeiro metro de volta para casa e, um pouco mais tarde, voltei para o aeroporto. Aí sim correu tudo como o previsto. Voei para Londres às 12:20, passei lá uns dias e, assim que voltei, fiz todo o procedimento de reclamação online. Em menos de um mês, recebi da Ryanair a indemnização no valor de 250€ – como previsto no regulamento.

Orientações fornecidas pela Ryanair para reclamações online
A cópia do registro feito no livro de reclamações e as orientações da Ryanair para pedidos de indemnizações em casos de cancelamento e atraso de voo

Bom mesmo é quando a viagem sai como o esperado, mas, quando algo sai do controle, ameniza um pouquinho não se sentir complemente prejudicado.