Lençóis Maranhenses: Preparando a viagem

A viagem até os Lençóis Maranhenses é longa, porque, como na maioria dos destinos naturais, é preciso fazer algumas baldeações. Depois de chegar a São Luis, tem que se levar conta o deslocamento até a cidade eleita como base.

Alegria no voo

Saímos do Rio em um voo direto da Gol – que mudou o horário duas vezes e avacalhou um pouco com nossos planos de pegar uma van coletiva até Barreirinhas. Sendo assim, contratamos um transfer particular, que custa mais caro, mas tem o conforto de ter uma pessoa esperando você no aeroporto.

Foram mais de quatro horas de trajeto – com direito a parada para comer um pastel e já provar guaraná Jesus – até Barreirinhas, por uma estrada que não está nas melhores condições.

A simpática cidade de Barreirinhas é conhecida como porta de entrada dos Lençóis Maranhenses e costuma ser a escolha mais comum entre os viajantes, não só por contar com uma estrutura legal, mas também por estar próxima de muitas das atrações locais.

Como chegar?

Partindo de São Luis, é possível alugar um carro e já sair motorizado do aeroporto, mas achamos que a escolha não compensaria. Como chegamos perto do anoitecer, teríamos que dirigir por 253 Km no escuro, numa estrada com asfalto precário, muitos trechos de faixa simples e iluminação inexistente. Além disso, o carro ficaria parado nos cinco dias em que estaríamos em Barreirinhas.

Da rodoviária de São Luis, saem ônibus diariamente para Barreirinhas, operados em quatro horários pela Cisne Branco. No sentido oposto, também há quatro opções de horário e as passagens saem por R$51 cada trecho (preço em agosto de 2016).

Outra opção para esse deslocamento é o transfer coletivo. As agências de turismo de Barreirinhas costumam oferecer o serviço com vans ou micro-ônibus saindo diariamente do aeroporto de São Luis. O trecho custava R$60 em agosto de 2016, mas lembre-se que não rola de viajar com muita bagagem porque espaço nesses carros é escasso.

Pra quem, assim como nós, não conseguir conciliar o horário do voo com o horário de transporte até Barreirinhas, resta o transfer particular. O Eduardo Morelli, da Levatur, foi nos buscar com uma doblô – porque éramos cinco aventureiros – e o trecho custou R$520.

A caminho de Barreirinhas, guiados pelo sábio Eduardo #saoluis #maranhao

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Contratamos os dois serviços através da São Paulo Ecoturismo, com quem também fechamos os passeios. Foi vantajoso fazer esse “pacote” porque rolou de barganhar preços melhores.

Onde ficar em Barreirinhas?

Pousada Murici

Barreirinhas tem muitas opções de estadia, mas os preços não são dos mais amigáveis. Nossa prioridade era encontrar um lugar bem localizado, que nos permitisse sair à noite para comer sem muitos transtornos, com café da manhã incluído, pra otimizar a saída para os passeios, e com ar condicionado, porque o calor do Maranhão não é brincadeira.

Além de atender as nossas necessidades – e ter o bônus da piscina – a Pousada Murici ganhou nossos coraçõezinhos por ter uma praia fluvial. Relaxar no Rio Preguiças foi, sem dúvidas, uma das melhores partes da nossa viagem.

E mais: os quartos que ocupamos eram super espaçosos, o wi-fi funcionou bem, o restaurante da pousada tem pratos e petiscos ótimos (além da cerveja gelada), o café da manhã era honesto e o espaço comum era muito agradável – saudades, redário!

O único porém foi mesmo a distância até o centro de Barreirinhas. Apesar de estar só a 1 Km do agito, acabamos pegando táxi todos os dias para jantar na Beira Rio (R$15 o trecho –  sem taxímetro, obviamente) porque o caminho era meio escuro e nos disseram que não era muito seguro caminhar por ali à noite.

Santo Amaro ou Atins

As duas cidades são opções para quem procura mais sossego e quer aproveitar com mais calma as lagoas próximas a elas. Dá pra ir de Barreirinhas? Dá sim, mas os passeios são limitados e, claro, você vai ver só o basicão incluído nos roteiros das agências. Apesar de ter menos estrutura, tanto Santo Amaro quanto Atins têm possibilidades bacanas de estadia.

O que vai na mala?

Tudo – eu disse tu-do – que pode te proteger do sol! Filtro solar, chapéu, boné, óculos escuros e até aquelas camisetas com proteção UV são muito bem-vindos. Você vai passar muito tempo exposto ao sol durante os trechos de caminhada e enquanto estiver dentro d’água.

Para os passeios, não esqueça de levar água, além de frutas e biscoitinhos para tapear a fome. Uma mochila pra caminhar com os seus pertences pode te dar um conforto maior que uma bolsa num ombro só – experiência própria!

Por último, eu optei por não levar minha câmera grande, de lentes cambiáveis, por conta do vento e acho que acertei na escolha. A areia voa descontroladamente mesmo e, quando voltei, tive que fazer uma limpeza mais atenciosa até no celular (e na GoPro afogada).

Onde comer?

Tem tanta coisa gostosa pra comer nos Lençóis Maranhenses que fica até difícil! De cara, eu vou dizer uma palavra: camarão! Tem o clássico da Luzia, que compete com o do seu Antônio, em Atins, mas no centro de Barreirinhas eu tive o prazer de comer camarão no abacaxi e na abóbora d’O Bambu.

Aliás, ficamos meio fissurados com os pratos desse restaurante e só demos chance ao A Canoa – que também ofereceu uma boa experiência gastronômica – em apenas uma das noites. Pra quem não curte camarão, a carne de sol também é uma ótima pedida e vem servida de muitas formas por lá.

Já em Caburé, fomos felizes na Cabana do Peixe, que oferece frutos do mar gostosinhos e no preço “de tabela” (aproximadamente R$80 em um prato pra dois, que pode servir três). Em Santo Amaro, paramos na pousada Rancho das Dunas, onde experimentamos um mousse de bacuri delicioso.

Na Beira-Rio estão as principais opções de restaurante da cidade e as porções servem de duas a três pessoas. Eu, que estou acostumada a comer no Rio de Janeiro, confesso que achei os preços super em conta. Pra lanches mais rápidos, tem hamburgueria, barraquinha de tapioca e um Subway.

Ali perto também tem a sorveteria Tá Delícia, que oferece um buffet a quilo de sabores regionais que valem aquele potão com uma bola de cada. Bacuri, buriti, murici, cupuaçu e graviola também aparecem de sob forma de suco, mousse e por aí vai. Já a castanha de caju (natural, salgada ou caramelizada) é especialidade da região. O preço do quilo fica em torno de R$50 na Casa da Castanha e nos armazéns do centro.

E não me arrume ideia de ir embora sem provar uma dose de tiquira, uma aguardente feita com mandioca, que surgiu no Maranhão.

E quanto custa?

Tudo varia muito, mas vamos ao que você precisa levar em consideração:

  • Voo do Rio para São Luis
    Ida pela Gol e volta pela Tam por R$ 371 + 7000 milhas
  • Transporte até Barreirinhas
    Ida de transfer particular por R$520 e volta de transfer coletivo por R$60
  • Estadia
    Na Pousada Murici, saiu por R$284 a diária por casal
  • Passeios pelos Lençóis Maranhenses, que foram fechados todos com a mesma agência (Os preços variam de R$70 a R$160)
    Lagoa Bonita R$80
    Santo Amaro R$180
    Caburé R$80
    Atins R$120
    Lagoa Azul R$70
  • Passeio de quadriciclo R$100 a hora
  • Passeio de Monomotor com a AVA
  • Alimentação
    Vai variar muito de acordo com o que você vai comer, mas fizemos as contas com R$ 120 por dia, comendo em restaurantes, e foi suficiente