Porto medieval: A Catedral da Sé e seus arredores

Localizada no alto do Morro da Sé, a Catedral do Porto é um dos pontos mais emblemáticos da cidade, servindo de testemunho da sua história. Para entender a relevância do templo, basta ter em mente que o Porto cresceu a partir deste local, que foi construído a partir do século 12.

O edifício que se vê hoje está longe de ser o original, já que a Sé passou por algumas grandes reformas ao longo desses 900 anos, mas ele continua sendo um importante marco do Porto. Independente da sua religião, vale aquela visita para ver de perto um altar todo trabalhado na prata e conhecer a padroeira da cidade: Nossa Senhora da Vandoma.

Levando em conta que trata-se do coração (e das origens) dessa cidade, deixa eu recuar só mais um bocadinho a mais no tempo. Antes de chegar à Sé, essa imagem esteve na Porta da Vandoma, a principal das quatro portas de entrada da muralha medieval, erguida depois de 990, quando os mouros foram expulsos da região. Conta a lenda que foi essa invocação de Nossa Senhora que deu uma forcinha na batalha de reconquista da cidade e, a partir de então, passou a proteger o Porto.

Porém, a Nossa Senhora da Vandoma foi proclamada padroeira do Porto só em 1964. Quem ocupava esse cargo até então era São Pantaleão, que também está na Sé. Essa lenda conta que as relíquias do santo chegaram à cidade no século 15, em um barco de armênios fugindo de Constantinopla. Eu sei que parece muito mórbido, mas uma cidade ter pedacinhos de um santo em seu território era sinônimo de poder. Essas relíquias ficaram primeiro na igreja de São Pedro de Miragaia, passando a atrair peregrinos. Logo a cura de pestes foi atribuída a elas e, no início do século 16, pimba: São Pantaleão foi elevado a padroeiro.

Sem me alongar muito nos santos “portuenses”, deixo aqui minha última dica dentro da Sé: a imagem de Nossa Senhora da Silva. Ela teria sido encontrada envolvida em silvas, um tipo de vegetação tipo das roseiras, durante a construção da catedral, no século 12. Acredita-se que essa aparição tenha acontecido para afastar os espinhos (ou tentações) dos fiéis.

Os mais curiosos devem visitar o chamado claustro gótico, rodeado por mais alguns altares, duas capelas e paredes repletas de azulejos. Na visita, pode-se ver ainda a sacristia, o tesouro da catedral e parte da Casa do Cabido, com suas salas de reunião.

Terminada esta parte, vamos aos arredores! Saindo da Catedral, você vai ver, do lado esquerdo, o Paço Episcopal (que também pode ser visitado), e, à frente, o Largo do Paço, com o Pelourinho e uma vista lindíssima.

O mais curioso é que aqui tudo tem cara de velho, mas não é. O Largo da Sé ganhou esse visual em 1940, quando se comemoraram centenários da nacionalidade (1440) e da restauração (1640).  Por exemplo, a Torre Medieval, que fica mais à direita, foi desmontada nessa grande reforma e reconstruída a uns metros de seu local original. Já a Casa dos 24 foi construída em 2002, em cima das (supostas) fundações do que foi a Casa da Câmara. O nome da antiga sede do governo vem do número de representantes dos ofícios da cidade (24), que eram divididos em 12 corporações.

Minha sugestão é contornar a igreja pelo lado direito, para ver a sua lateral e a vista de um outro mirante, coladinho com a estátua de um cavaleiro pomposo, chamado Vímara Peres.

Seguindo esse caminho, você vai passar por uma das ruas mais antigas da cidade, que, hoje, leva o nome de D. Hugo. Por aí estão um pedaço da muralha primitiva e a casa de nº 5, onde foram encontrados vestígios de ocupação humana na região – que datam do I milênio a.C.. Também há a Casa-Museu Guerra Junqueiro, em memória do escritor português.

Agora prepare as pernocas, porque é ladeira abaixo. Ou melhor, escada abaixo! Antes de descermos as Escadas das Verdades, vale uma paradinha na Capela de Nossa Senhoras das Verdades, construída no final do século 17. Recém-reformado, o edifício funciona como Centro de Acolhimento a Peregrinos do Caminho de Santiago e abriga a imagem que esteve em outra entrada medieval da cidade, o Postigo das Mentiras.

Desça a escadaria para chegar ao Bairro do Barredo, um dos lugares mais pitorescos do Porto. As ruas estreitas com roupas penduradas no varal garantem a sensação de que você voltou no tempo.

Deixo duas sugestões: passe pela Torre da Rua de Baixo, que dizem ser a única construção sobrevivente da Idade Média, e pare para comer um bolinho de bacalhau no Escondidinho do Barredo, uma tasca tradicional que serve petiscos tipicamente portugueses. O passeio termina na Ribeira, de frente pra Vila Nova de Gaia e pro Rio Douro.


Catedral da Sé do Porto e Museu
Horário: 9h às 19h
Preço: 3 €

Capela de Nossa Senhora das Verdades
Horário: Terça a Domingo, das 10h às 17h30
Entrada gratuita

Casa-Museu Guerra Junqueiro
Horário: Segunda a sábado das 10h às 17h/ Domingo das 10h às 12h30 e das 14h às 17h30
Preço: 2,20 €, com entradas gratuitas aos fins de semana

Escondidinho do Barredo
Rua dos Canastreiros, 28