Ilha de Ons: Preparando a viagem

Depois de ter conhecido as Ilhas Cíes, em agosto de 2017, eu estava convicta de voltar no verão do ano seguinte. Imagina passar uns dias calmos, mergulhar de novo naquela água verde (e gelada) e curtir aquele visual galego de novo? Só que eu resolvi ler mais sobre as Ilhas Atlânticas, descobri a Ilha de Ons pelo caminho e não precisou muito para mudar de ideia.

Assim como Cíes, a Ilha de Ons faz parte do Parque Nacional das Illas Atlánticas de Galiza, mas está no Arquipélago (claro) de Ons, junto com um outros pedacinhos de terra no meio da água. Ela fica na entrada da Ria de Pontevedra, nas Rias Baixas, a 4 Km do continente.

Ons é a única ilha habitada o ano todo, o que facilita em termos de comodidades para quem a visita – e tudo o que eu e Livio precisávamos naquela altura era sossego! Decidimos passar, então, duas noites nessa belezinha que prometia areias brancas, águas clarinhas e céu estrelado.

Como chegar? (ou do Porto a Ons)

Este subtítulo poderia ter sido facilmente substituído por uma palavra: baldeação. Chegar a uma ilha não costuma ser assim tarefa fácil porque, normalmente, exige que você chegue primeiro à cidade de onde saem os barcos

Para Ons, há saídas de Sanxenxo, Baiona, Cangas, Portonovo, Bueu e Vigo, realizadas por três empresas: Mar de Ons, Cruceros Rías Baixas e Navieira Nabia. No site de cada uma delas é possível ver os horários disponíveis, mas a oferta varia bastante de acordo com a época da temporada, que vai de junho a outubro, concentrando mais opções em julho e agosto.

A caminho da Isla de Ons

Eu saí do Porto, sem carro, em meados de setembro. Sente a saga: um ônibus até Pontevedra, outro ônibus até Sanxenxo, um táxi para Portonovo e um barco para Ons. O primeiro trecho é oferecido pela Flixbus e pela Alsa, com bilhetes que variam de 7€ a 20€, enquanto o segundo é operado pela MonBus, por 1,55€ (preços de setembro de 2018).

Acho que a parte mais enjoada de uma viagem com baldeações é coordenar todos os horários, na tentativa de perder menos tempo possível. Por conta disso, optamos por sair do Porto num domingo à noite, passar a noite em Pontevedra, e sair bem cedo para Sanxenxo, com brecha para tomar café da manhã e chegar com calma a Portonovo.

Onde ficar em Ons?

Não há muitas opções de onde ficar na Ilha de Ons. A primeira é o camping, onde você pode levar sua própria barraca ou alugar uma já preparadinha, para duas, quatro ou cinco pessoas – o chamado Glamping. A outra é a Casa Acuña, que oferece tanto quartos quanto apartamentos para aluguel. As duas opções fazem parte do Grupo Acuña, que inclui a Nabiera Nabia e leva a uma espécie de venda casada de transporte e estadia.

Para quem quer dormir na ilha, a reserva do alojamento já inclui as passagens, que deve ter seus horários reservados em seguida, por e-mail. O esquema está longe de facilitar a vida, porque restringe o deslocamento aos horários de uma empresa só, mas não há muito o que fazer.

Eu escolhi dormir no glamping e conto essa experiência aqui.

O que vai na mala?

Ou melhor, na mochila! Do porto da ilha até o camping tem uma subida de um quilômetro – ao contrário da Casa Acuña, que fica mesmo ao lado do desembarque – e acho que a melhor opção é carregar a bagagem nas costas. Nessa mochila, não deixe de levar um par de tênis confortável para as caminhadas, muito protetor solar e, se não for pedir muito, uma barraca de sol, já que lá não tem onde alugar.

Eu optei por levar coisas para o café da manhã e água, porque não sabia bem o tipo de estrutura que encontraria por lá, mas fui surpreendida pela cafeteria do camping, que tem opções variadas e bons preços – o menu de desayuno custa entre 5€ e 6€. De toda forma, há um supermercado muito próximo do porto de Portonovo e dá pra fazer um carregamento antes de pegar o barco pra Ilha de Ons. Pense, pelo menos, em frutas, barrinhas de cereal e biscoitos para passar o dia na praia ou repor as energias ao longo das caminhadas.

Onde comer?

A grande estrela da Ilha de Ons é o polvo, servido “en caldeirada” ou “a feira”. O primeiro é cozido com batatas, pimentões, azeite, alho e cebola. O segundo é grelhado e também é conhecido como “à galega”. A iguaria é encontrada por 20€ no Restaurante Casa Acuña, que também tem um menu de almoço a 15€, com entrada, prato principal, bebida e café/sobremesa.

Já na cafeteria do camping tem opções de sanduíches, saladas, massas e pizzas.

Na ilha, também existe o Bar O Pirata, mas no início de setembro ele já estava de férias.

E quanto custa?

Tudo varia muito, mas dá ter ideia levando em conta que:

  • Barco de Portonovo para Ons
    28€ ida e volta
  • Estadia
    No glamping para duas pessoas, a diária saiu por €70
  • Alimentação
    Com 50€ por dia, come-se como rei. (Mas se você quiser enxugar o orçamento aí, dá!)
  • A título de curiosidade: Táxi entre Sanxenxo e Portonovo
    7€ o trecho