Bravas Viajantes: Como uma das minhas viagens solo virou livro

Até que enfim esse teu rim perdido valeu a pena”. A piada do rim que eu supostamente perdi fazendo Couchsurfing por aí não é de hoje. Ouvi muito de um grupo de amigos próximos todas as vezes que eu contava minhas aventuras por aí. O que eu nunca imaginei era que, algum dia, elas fariam parte de um livro. Mas ter perdido “tantos rins” valeu a pena muito antes disso.

Quando eu comecei a viajar, eu só queria viajar. Não importava muito como. Desde que tivesse teto pra dormir e um jeitinho pra ir e vir, eu estava feita! Ter a tal da coragem pra  botar a mochila nas costas e a cara no mundo foi o primeiro passo pra várias jornadas internas.

Cada viagem que eu fiz sozinha provocou uma espécie de revolução dentro de mim. Passei a valorizar o silêncio pra ouvir melhor o que vem de fora e de dentro, percebi que os cheiros parecem ser mais intensos quando se está sozinho. Olhar o outro se torna um processo mais empático e a maneira como você se coloca no mundo passa a ser mais humilde. É preciso ouvir o próximo, que tem uma cultura diferente, que nasceu e cresceu em outro canto e tem um outro entendimento da vida. Também me tornei uma pessoa mais segura, mais independente, mais livre.

Acho que de todas essas experiências e revoluções é que vem a vontade de dividir. Contar histórias de viagem, pra mim, vai muito além de mostrar o quanto eu conheço do “mundo” – entre aspas mesmo, porque falta muito pra dizer que eu conheço o mundo. Escrever e falar de viagem é uma forma de mostrar pra quem escuta o quanto é transformador sair da zona de conforto. O MochiLou nasceu com essa ideia de compartilhar com mais gente, ir além da mesa de bar, onde eu costumo contar essas andanças que me fazem tão bem.

E o “Bravas Viajantes” veio meio de surpresa, a partir da ideia do Zizo Asnis, editor-chefe da editora O Viajante, de juntar histórias de mulheres que viajam sozinhas em um projeto único. Eu estava morando no Porto há uns meses, ainda esperando o início das aulas do mestrado, quando ele postou em um grupo no Facebook que estava em busca de boas histórias de viagem solo.

Escolhi contar – primeiro pra ele e depois pra todo mundo – sobre uma das viagens mais marcantes da minha vida: 14 dias sozinha na Alemanha, dormindo de Couchsurfing e fazendo os trajetos entre as cinco cidades que eu visitei de carona, com o objetivo final de assistir a um show em um festival de rock.

E, a partir disso, era uma espécie de mergulho no túnel do tempo cada vez que eu escrevia e reescrevia aquela história ao longo dos três meses de trabalho. O exercício de lembrar como aconteceu, rever fotos e resgatar anotações foi como refazer essa viagem, que tem um significado especial pra mim, sentada de frente pro meu computador.

Terminado o processo e com tudo pronto para o lançamento, que acontece no dia 8 de março, eu tenho certeza de que o que mais motivou todo o processo foi a ideia de poder dividir isso com outras mulheres, que já viajam sozinhas e já passaram por experiências incríveis ou que estão criando coragem pra realizar esse desejo. Espero, do fundinho do coração, que o Bravas Viajantes sirva de inspiração pra muita gente!

O livro está disponível no site da editora O Viajante e nas melhores livrarias do Brasil.